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Maio de 1993

Maio de 1993: JPR trazia o contraste da realidade dos radiologistas

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Em 1993, a Jornada Paulista de Radiologia já havia evoluído para se tornar o maior encontro de radiologistas da América Latina e o maior showroom de expositores do setor. O evento assumia um caráter científico de âmbito nacional, acolhendo médicos de todas as partes do Brasil. Os cursos oferecidos abrangiam desde o básico até os temas mais avançados, atraindo uma média de 3.100 participantes diários, totalizando 12.400 pessoas ao longo dos quatro dias no Anhembi.

O evento era extremamente positivo para os profissionais brasileiros, mas a realidade econômica, marcada pela URV, criava desafios. A classe médica, muitas vezes recebendo pagamentos baixos e atrasados de convênios e instituições de saúde, enfrentava dificuldades financeiras. Esse contexto fez surgir um perfil de médico que acumulava vários empregos mal remunerados.

A “orquestração do pau nas máquinas”, promovida por financiadores de saúde, prejudicava os radiologistas ao estimular a realização de exames internamente, em detrimento dos serviços especializados. Essa estratégia de autogestão de exames dentro das cooperativas médicas e grupos de medicina prejudicava ainda mais a classe, que se via obrigada a buscar visibilidade e reconhecimento junto aos pacientes.

A proposta de regulamentação pelo CFM, conhecida como Ato Médico, visava garantir aos pacientes um diagnóstico preciso e acessível, destacando a importância da tecnologia avançada no processo diagnóstico antes de qualquer intervenção cirúrgica. Para manter a estrutura dos serviços, a classe médica lutava pela valorização de seus honorários, ajustando-os à URV. Durante a Assembleia do CBR, foi decidido que a tabela de honorários deveria ter um valor mínimo de 0,155 URV por CH, em solidariedade à AMB e a todos os médicos do Brasil.

 

Screening mamográfico era novidade na British Columbia

Naquele ano, o Ministério da Saúde da província de British Columbia, no Canadá, oferecia o serviço de screening mamográfico gratuitamente para mulheres a partir dos 40 anos. A Dra. Paula Gordon, uma defensora fervorosa do método em sua região, destacava a ausência de médicos durante os exames, o que tornava o serviço mais acessível financeiramente. Os técnicos realizavam os exames e anotavam os dados das pacientes, e um médico revisava os resultados após o expediente.

Os centros de screening mamográfico estavam espalhados pelas principais cidades de British Columbia, incluindo Vancouver, onde o Vancouver Center, local de trabalho da Dra. Paula, estava localizado em um shopping center. Pacientes de áreas remotas eram atendidas por duas vans que percorriam o interior da província. Apesar disso, algumas mulheres ainda precisavam viajar para outras cidades para fazer o exame.

No Vancouver Center, três médicos se revezavam na leitura dos exames, que eram realizados em diferentes dias da semana. A Dra. Paula explicou que a eficiência do serviço se devia à informatização do processo, que permitia o acesso aos exames anteriores quando necessário. Ela mencionava que, a cada mil pacientes examinadas, 66 eram chamadas para novos exames, 10 precisavam de biópsia e 4 tinham câncer de mama confirmado.

Apesar da importância do screening, a médica observava que muitas mulheres ainda tinham receios em relação ao procedimento, como medo da radiação e da dor durante a compressão no mamógrafo. Ela também apontava que a decisão de implantar um sistema avançado de screening em British Columbia foi influenciada por questões políticas, sem precisar como funcionava o sistema em outras províncias do Canadá.

 

Física e medicina: parceria de sucesso

Dr. Coumans e Dr. Perry Sprawls, ambos dos EUA e patrocinados pela Philips Medical Systems, ministraram o curso “Física em Ressonância Magnética para Médicos”. Dr. Coumans ressaltou que, embora a ressonância magnética tenha surgido há 20 anos, ela ainda tinha potencial para continuar se desenvolvendo por mais 20 anos. O curso foi estruturado em duas partes: a primeira focou nos fundamentos básicos da tecnologia, permitindo aos médicos entenderem os princípios do seu funcionamento e, assim, os futuros caminhos da ressonância. A segunda parte abordou as novas aplicações dessa tecnologia.

Uma aplicação recente para aquela época era complementar a mamografia, detectando lesões mínimas na mama. Dr. Coumans destacou também o uso da ressonância para visualizar o fluxo sanguíneo, proporcionando um exame mais rápido e sem procedimentos invasivos. Além disso, ela estava sendo utilizada para monitorar o desempenho do coração, tanto em termos de função, quanto de estrutura.

O físico acreditava que, no futuro, a ressonância magnética seria usada para guiar processos intervencionistas, atuando não apenas no diagnóstico, mas também no tratamento.