Um novo estudo, intitulado “O impacto da IA na força de trabalho dos radiologistas: uma análise baseada em tarefas”, liderado por Curtis Langlotz, ex-presidente da Sociedade Norte-Americana de Radiologia (RSNA) e uma das maiores autoridades em inteligência artificial aplicada à saúde, analisou de forma prática como a IA deve impactar o trabalho dos radiologistas nos próximos anos. Segundo a pesquisa, publicada no repositório científico MedRxiv, a tecnologia deve reduzir o tempo gasto em algumas tarefas, mas não eliminar empregos na área.
Os autores calcularam que, em média, a IA pode reduzir em cerca de 33% o número de horas necessárias para realizar certas atividades da radiologia em até cinco anos. Isso acontece principalmente porque ferramentas de IA conseguem ajudar na redação de laudos, na triagem de exames e até em identificar exames normais que talvez nem precisem passar por um médico. Mesmo assim, o próprio estudo destaca que isso não significa desemprego em massa.
Isso porque a quantidade de exames de imagem cresce ano após ano, enquanto o número de radiologistas se mantém relativamente estável. Ou seja, o ganho de produtividade trazido pela IA tende a ser compensado pelo aumento da demanda. Na prática, a tecnologia deve mudar o tipo de tarefa que o radiologista faz, automatizando partes mais repetitivas e liberando tempo para atividades mais complexas e que exigem julgamento médico.
O cenário é parecido com o que já aconteceu antes na radiologia, como na época da digitalização das imagens: a tecnologia aumentou a eficiência, mas não substituiu os profissionais. A conclusão do estudo é clara: a inteligência artificial deve transformar a rotina da radiologia, mas não acabar com a profissão – ao contrário, pode até melhorar a qualidade de vida dos radiologistas ao reduzir tarefas mais mecânicas.
Para conferir o estudo completo, acesso o site MedRxiv.