ENRC 2026

Inovação e integração no 19º ENRC

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Por Daiane Crema

Fotos: Carol Cassiano Fotografia

 

Veja as fotos do dia 1º de maio e do dia 2.

 

O cenário da imagem cardiovascular no Brasil teve seu ponto de encontro renovado nos dias 1º e 2 de maio, com a realização do 19º Encontro Nacional de Radiologia Cardíaca (ENRC 2026) durante a Jornada Paulista de Radiologia (JPR). O evento reuniu especialistas em torno de uma agenda focada em precisão diagnóstica e na implementação de novas tecnologias, como a inteligência artificial e a perfusão miocárdica quantitativa. 

Sob a coordenação dos Drs. Andrei Skromov, Gabriela Liberato, Henrique Trad, Marcelo Nacif, Walter Ishikawa, Luciana Baptista, Maurício Barbosa, Gilberto Szarf e Cristina Fuss, o encontro reafirmou que o futuro da radiologia cardíaca já começou e que os pilares mais importantes são a tecnologia de ponta e a interpretação clínica refinada.

Ciência aplicada e a renovação da especialidade

A programação técnica não se limitou a expor novos equipamentos, mas sim a discutir como os dados gerados pela angiotomografia e ressonância magnética cardíaca podem transformar o desfecho clínico do paciente. As discussões sobre a padronização de laudos via CAD-RADS e a reestratificação de risco cardiovascular foram pontos centrais. Para o Dr. Roberto Sasdelli Neto, professor e moderador do evento, o grande diferencial da edição foi a diversidade geracional e técnica dos palestrantes.

“O programa tem uma mistura muito interessante de avanços tecnológicos e estudos clínicos que reforçam nossa prática diária com abordagens práticas de como laudamos e como nos referimos aos colegas que solicitam o exame”, destacou o médico. 

Para ele, essa dinâmica é impulsionada pela presença de palestrantes jovens que trazem novidades científicas e domínio de IA, somados à experiência de veteranos da especialidade. “A mistura de cardiologistas e radiologistas fazendo o método é muito interessante; enquanto nós radiologistas tendemos a ser mais fiéis à imagem, a cardiologia traz uma abordagem clínica associada, e essa mistura é sempre muito produtiva”, explicou.

Intercâmbio global e impacto regional

A internacionalização do ENRC foi evidenciada pelas parcerias com a Society for Cardiovascular Magnetic Resonance (SCMR) e a revista RadioGraphics, além de palestras internacionais que trouxeram perspectivas globais sobre angiotomografia de coronárias, miocardite associada e cardiopatias congênitas complexas. Esse fluxo de conhecimento de alto nível beneficia serviços de saúde em todo o país, permitindo que as inovações discutidas em São Paulo alcancem estados de todas as regiões.

A Dra. Norma Selma, médica radiologista no Hospital Regional da Unimed, em Fortaleza (CE), e membro da SPR, que participa do encontro há várias edições, enfatizou a importância de manter o ENRC inserido na JPR como forma de democratizar o acesso à alta tecnologia: “É uma oportunidade de outras pessoas também participarem. A troca de experiências e poder ouvir colegas com acesso a tecnologias de ponta em São Paulo facilita muito o nosso trabalho. Levamos a atualização de volta e passamos a aplicar metodologias mais novas na nossa prática diária onde atuamos”.

O sucesso do ENRC 2026 deixa claro: o futuro da imagem cardíaca é cada vez mais quantitativo, tecnológico e integrado. Com a consolidação de protocolos e a inserção da Inteligência Artificial na rotina diagnóstica, o encontro encerra suas atividades projetando uma especialidade que une a precisão do Diagnóstico por Imagem à sensibilidade clínica. Para os especialistas que retornam às suas cidades, o evento deixa mais do que atualizações técnicas; deixa o mapa para a medicina de precisão.