A edição de 1996 do Jornal da Imagem destacou a proposta da Jornada Paulista de Radiologia (JPR 96) de adotar uma programação verticalizada, organizada por sistemas e especialidades, com o objetivo de valorizar a correta indicação dos métodos de diagnóstico por imagem. Inspirado em modelos adotados por grandes centros universitários e alinhado às diretrizes internacionais, o evento buscava aprofundar o conhecimento técnico dos participantes, promovendo uma compreensão mais precisa das aplicações e limitações de cada método.
A programação reuniu especialistas brasileiros e convidados internacionais em áreas como cabeça e pescoço, mama, medicina interna, pediatria, medicina nuclear e radiologia vascular, além de discutir temas como controle de qualidade, interpretação de imagens e certificação profissional. A Comissão Científica reforçava a importância de integrar tecnologia, conhecimento clínico e experiência prática para qualificar o diagnóstico e a tomada de decisão médica.
Além das atividades científicas, a JPR 96 também deu destaque à certificação de qualidade, à atualização tecnológica e à troca de experiências entre profissionais de diferentes países, consolidando o evento como um dos principais fóruns da radiologia brasileira na época.
Quase três décadas depois, esses princípios seguem orientando a JPR, que este ano volta a ser realizada em parceria com a RSNA, com o tema “SPR–RSNA: unindo pessoas, expandindo horizontes”. O evento acontece de 30 de abril a 3 de maio de 2026, em São Paulo, e já está com inscrições abertas, reafirmando seu papel como um dos principais espaços de atualização e integração da radiologia na América Latina.
Foco em saúde e pesquisa marcou a atuação do Ipen nos anos 1990
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) vinha priorizando, há cerca de três décadas, o desenvolvimento de aplicações sociais da energia nuclear, com foco nas áreas de saúde, agricultura, meio ambiente e construção civil – e este foi o tema de uma das reportagens do Jornal da Imagem em 1996.
A medicina nuclear aparecia como principal frente de atuação, especialmente na produção de radioisótopos e radiofármacos utilizados em diagnósticos médicos, como o Tálio-201, empregado em exames cardiológicos. À época, embora o material já fosse usado no país, sua produção nacional ainda era limitada por deficiências tecnológicas.
Estavam então previstos investimentos para reformas no reator de pesquisas e para a aquisição de um acelerador de partículas (Cíclotron), equipamento que permitiria ao Ipen ampliar e nacionalizar a produção de radioisótopos. A matéria destacava, ainda, o papel da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) na tentativa de democratizar o uso da energia nuclear com fins sociais, especialmente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Um debate técnico que atravessa décadas
A proteção radiológica era apontada como uma preocupação permanente dos especialistas e fabricantes da área nuclear, segundo entrevista publicada no período. O avanço da radiologia no Brasil, especialmente a partir da década de 1980, ampliou o uso de equipamentos emissores de radiação ionizante, tornando indispensável o desenvolvimento e a adoção de materiais de proteção individual e coletiva. Aventais, protetores de tireoide, óculos e placas plumbíferas passaram a ser produzidos com maior rigor técnico, seguindo normas internacionais de segurança.
De acordo com o entrevistado Ricardo Alves Putomattil, a eficácia desses equipamentos não se media apenas pela quantidade de chumbo utilizada, mas pela capacidade real de bloquear a radiação sem comprometer o diagnóstico. Ele destacava que a radiação não alterava a aparência imediata das pessoas expostas, mas podia causar danos genéticos e efeitos cumulativos, o que tornava essencial o uso correto de proteções tanto por profissionais quanto por pacientes, especialmente em grupos mais sensíveis, como crianças e gestantes.
Três décadas depois, a discussão sobre proteção radiológica ganha novos contornos com a incorporação de tecnologias digitais e sistemas baseados em inteligência artificial na área da saúde. Algoritmos de IA hoje auxiliam na otimização de exames, na redução de doses de radiação e na análise mais precisa de imagens médicas, reforçando um princípio já defendido à época: o de que o avanço tecnológico só se justifica quando caminha junto com a segurança do paciente e dos profissionais de saúde.