Notícias
Janeiro de 1996

Janeiro de 1996: encontros, debates e os primeiros passos do digital

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Em janeiro de 1996, o Jornal da Imagem destacava os preparativos da 26ª Jornada Paulista de Radiologia, que aconteceria de 2 a 5 de maio no Anhembi, em São Paulo. Reforçando o caráter internacional que a JPR já buscava consolidar naquela época, a principal notícia era a confirmação de doze professores estrangeiros na programação científica, com especialistas vindos principalmente dos Estados Unidos, ligados a instituições como University of Texas, Mayo Clinic, Washington University, Children’s Hospital de Boston e University of Illinois at Chicago, para abordar temas de tórax, neurorradiologia, músculo-esquelético, neuro-pediatria, ultrassonografia com Doppler e geniturinário.

Trinta anos depois, próximo da JPR 2026, é inevitável perceber como alguns pilares permanecem. Em 1996, a grande aposta era a internacionalização, a excelência científica e a experiência do participante para além das salas de aula. Em 2026, com os preparativos a todo vapor, esses mesmos valores seguem guiando a Jornada, agora ampliados por novas tecnologias, formatos educacionais inovadores, inteligência artificial e uma atenção ainda maior à experiência de quem participa.

Ultrassom no consultório foi debate na SPR há 30 anos

O Jornal da Imagem de 1996 também noticiava um tema que mobilizava a comunidade médica na época: o uso do ultrassom diretamente no consultório, especialmente por ginecologistas e obstetras. O assunto foi o eixo central do IV Curso de Temas Avançados em Ultrassom em Ginecologia, promovido pela SPR em parceria com o Centro de Estudos da Unidade Radiológica Paulista, encerrando as atividades científicas da Sociedade em 1995 e também as comemorações pelos 100 anos da descoberta dos raios-X.

O crescimento rápido da ultrassonografia na prática médica levou à preocupação com a formação adequada dos profissionais e com os limites éticos e técnicos do exame. A mesa-redonda que fechou o curso reuniu nomes importantes da radiologia e da ginecologia, e o debate girou em torno de questões centrais: o ginecologista deve realizar ultrassom no próprio consultório? Qual é o limite entre complementar o exame clínico e assumir um procedimento que exige formação especializada? Como evitar erros diagnósticos e más práticas decorrentes do uso inadequado da tecnologia?

Alguns participantes defenderam que o exame pode ser feito no consultório, desde que o profissional tenha formação sólida e conheça bem as limitações do método. Outros alertaram para os riscos do uso sem preparo adequado, citando erros graves de diagnóstico, tratamentos incorretos e prejuízos diretos às pacientes. A conclusão do encontro foi: o avanço tecnológico era irreversível, mas precisava caminhar junto com educação continuada, normas bem definidas e compromisso ético.

Tecnologia digital começava a transformar a mamografia

Ainda falando de saúde da mulher, há 30 anos o Jornal da Imagem noticiava a chegada da tecnologia digital à mamografia, ainda em fase inicial, mas cercada de expectativas. Em entrevista, a radiologista Luz Venta, do Prentice Women’s Hospital de Chicago, explicava que o exame digital reduzia o tempo de compressão para cerca de 20 segundos e permitia visualizar a imagem em tempo real. Apesar das vantagens, a tecnologia ainda não tinha resolução suficiente para substituir totalmente a mamografia convencional e nem conseguia examinar toda a mama de uma só vez, sendo feita por partes, principalmente para localizar calcificações.

A médica ressaltava que o ultrassom continuava essencial para guiar biópsias, por permitir imagens em tempo real, mas não era capaz de detectar calcificações, que costumam ser as primeiras manifestações do câncer de mama. Por isso, a mamografia seguia como método principal tanto para o rastreamento quanto para a avaliação inicial de massas palpáveis, com o ultrassom atuando como complemento, especialmente em mulheres jovens ou com mamas densas.

Hoje, três décadas depois, a tecnologia digital deixou de ser promessa e se tornou padrão, com mamografia totalmente digital, tomossíntese, inteligência artificial e integração aos sistemas hospitalares. O que em 1996 era visto como uma inovação em fase experimental hoje é parte essencial das políticas de rastreamento, mostrando como a evolução tecnológica confirmou as expectativas daquele período e ampliou de forma decisiva o impacto da mamografia na prevenção do câncer de mama.