A radiologia brasileira vive um momento especial de reconhecimento internacional. Em abril e maio de 2026, as capas da RadioGraphics, uma das publicações mais prestigiadas da especialidade em todo o mundo, foram ilustradas por trabalhos liderados por pesquisadores brasileiros. Como se não bastasse, a edição de junho já traz mais dois artigos nacionais, ampliando a presença do país em uma revista que é referência global em educação e atualização para radiologistas.
Para a Dra. Andrea Cavalanti, coordenadora do Serviço de Ultrassonografia do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (INRAD – HCFMUSP), o destaque é resultado de uma combinação entre excelência técnica, dedicação acadêmica e trabalho colaborativo. “Os radiologistas brasileiros têm uma formação muito sólida em ultrassonografia. Diferentemente de muitos centros internacionais, aqui os médicos realizam o exame, acompanham a aquisição das imagens e interpretam os achados. Isso gera uma experiência muito rica e acaba se refletindo na qualidade dos trabalhos científicos”, afirma.
A primeira capa brasileira do ano foi publicada na edição de abril e teve como tema o Doppler transcraniano com imagem – “Updates on Adult Transcranial Doppler, Gray-Scale, and Contrast-enhanced US Techniques“. O artigo, liderado pelo Dr. Mateus Esmeraldo e acompanhado de perto pela Dra. Andrea por ter se iniciado no INRAD, revisa aplicações clínicas e avanços tecnológicos do método, que permite avaliar vasos intracranianos e determinadas estruturas cerebrais em tempo real, de forma não invasiva e à beira do leito.
Atualmente pós-doutorando em neurorradiologia na Stanford University, nos Estados Unidos, Dr. Esmeraldo destaca que o trabalho nasceu a partir da experiência acumulada por profissionais do INRAD e do Instituto do Coração (InCor), além de uma ampla revisão da literatura internacional. “O artigo busca aproximar os radiologistas de uma técnica que ainda é subutilizada, apesar do enorme potencial clínico. O reconhecimento da RadioGraphics e a repercussão internacional mostram que o Brasil ocupa hoje uma posição de liderança nesse campo”, afirma.
Segundo o pesquisador, o trabalho já despertou interesse de grupos da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil, abrindo portas para novas colaborações científicas.
Na edição seguinte, a capa de maio foi conquistada pela Dra. Luciana Zattar, radiologista do Hospital Sírio-Libanês e referência em imagem dermatológica. O artigo “Advances in Nail Evaluation: US and MRI” aborda o papel da ultrassonografia e da ressonância magnética na avaliação das doenças das unhas, tema que a acompanha desde os primeiros estudos na área, há quase uma década.
“Esse trabalho representa anos de dedicação ao estudo da imagem ungueal. Conseguimos reunir experiência clínica, imagens diferenciadas e conceitos atuais em um conteúdo educacional que pode auxiliar radiologistas do mundo todo. Receber a capa da RadioGraphics foi uma honra enorme e um reconhecimento muito especial”, destaca.
Junho mantém sequência de títulos brasileiros
Se abril e maio já haviam colocado o Brasil em evidência, a edição de junho confirmou que o protagonismo não foi um episódio isolado.
Entre os artigos publicados está o trabalho coordenado pelo Dr. André Aihara – “Bone Marrow Imaging: Unraveling Variations and Identifying Pathologic Conditions“. Ele ressalta a importância de planejamento, originalidade e rigor científico para alcançar espaço em uma publicação tão disputada. “Ver a radiologia brasileira ocupando esse espaço eleva o nome do país e chancela o rigor e a qualidade da nossa produção científica no cenário global”, afirma.
Também integra a edição de junho o artigo de Dra. Caroline Lorenzoni e colegas, dedicado à imagem da placenta e do cordão umbilical – “Imaging of the Placenta and Umbilical Cord: What Radiologists in Common Practice Need to Know“. O trabalho reúne a experiência acumulada em mais de uma década de atuação em centros de referência para desordens de adesão placentária e nasceu a partir de uma iniciativa educacional promovida pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).
“Ter um artigo publicado na RadioGraphics representa um reconhecimento muito significativo. A revista tem um papel fundamental na educação continuada dos radiologistas e compartilhar esse conhecimento com colegas de diferentes países é extremamente gratificante”, afirma.
Para Andrea Cavalanti, a sequência de conquistas evidencia a maturidade da produção científica nacional e o papel de grupos acadêmicos que estimulam a pesquisa desde a residência médica.
“Existe sempre um grande esforço individual por trás de cada publicação, mas também há um trabalho coletivo de formação, incentivo e colaboração. Ver trabalhos brasileiros ocupando as capas da RadioGraphics e ganhando cada vez mais espaço na revista é motivo de orgulho para toda a radiologia nacional.”
Mais do que um reconhecimento pontual, a presença brasileira em destaque na principal publicação educacional da especialidade reforça a relevância da pesquisa desenvolvida no país e sua crescente influência na construção do conhecimento radiológico mundial.